Rádios comunitárias são meios para que os jovens contribuam para a construção de suas comunidades
Mai Locutor é a estrela da rádio Prazeres, rádio comunitária de sistema de auto-falantes da região de Jaguaripe 2. Com dezessete anos de idade e cursando o ensino médio, ele apresenta o programa mais querido pelos ouvintes, o Gospel Rap – com músicas que louvam ao Senhor no ritmo do rap. Maílson não é iniciante, já apresentou um programa em uma rádio comunitária FM da região de Canabrava, que por motivos de legalidade teve que ser fechada. Ele é mais um retrato dos jovens que participam de rádios comunitárias, que lutam pela liberdade de expressão.
Muitas comunidades enfrentam a burocracia e a falta de dinheiro para legalizar a sua própria rádio, e uma maneira que elas encontram para fazer circular as suas idéias é através do sistema de alto-falantes. René Araújo foi locutor da rádio Prazeres quando ela ainda estava engatinhando: “Nós começamos com material de segunda mão e melhoramos as condições da rádio com o tempo, antes tínhamos uma pilha de CDs piratas que colocávamos para tocar, agora o computador facilita na programação das músicas e conseguimos material que ajuda na locução”. A rádio comunitária funciona com quatro locutores em sistema de rodízio, todos participam voluntariamente, servindo a comunidade com informações e discussões de interesse comum.
Outro meio muito utilizado pelos jovens é a rádio web – emissoras de rádio transmitidas via internet gerando áudio em tempo real, com possibilidade de programação gravada. Há mais de mil comunidades de rádios web no maior site de relacionamento do país, o Orkut. A maioria das pessoas ligadas a esse novo meio de comunicação (que aos poucos vai tomando o lugar da rádio e da televisão) são jovens, com menos de 25 anos.
De acordo com o Ministério de Comunicação, a Bahia está em 4º lugar em número de rádios comunitárias licenciadas no Brasil, são 300 rádios entre definitivas e provisórias. Porém, o caminho para conseguir a licença é muito longo e cheio de empecilhos: além da burocracia, a corrupção nesse meio é muito comum, e os interesses políticos de alguns deputados impedem que associações comunitárias sérias possam usar do direito à licença de rádio comunitária.
Em Salvador são quatro as rádios comunitárias licenciadas, todas elas licenciadas por intermédio de deputados: a exemplo da Gostosa FM, que se diz ligada à Associação de Apoio e Defesa das Pessoas com Deficiência (conseguiu a licença no ano 2000); e a rádio do deputado federal Luiz Moreira (conseguiu a sua licença em 2002), eleito pela Igreja Universal do Reino de Deus, que vendeu a sua licença ao grupo Lopes (grupo familiar possuidor de 5 rádios em toda a Bahia).
1º semestre de 2009