Nesse mês de setembro foi lançado mais uma pesquisa assustadora sobre as condições de saúde pública do estado da Bahia: a Secretaria de Saúde (Sesab) contabilizou 103.788 casos de dengue nos oito primeiros meses do ano, contra 34.125 registrados no mesmo período do ano passado. É um aumento de mais de 200%, o mais alto índice registrado desde 1995, quando a dengue foi considerada pela primeira vez uma epidemia, e iniciaram as pesquisas de contagem do estado. Puro descaso dos municípios com a sua população, pois a principal forma de dar cabo da dengue é através das políticas públicas de prevenção.
O mesmo boletim da Sesab indica que a dengue está presente em 402 dos 417 municípios do estado, sendo Itabuna, Jequié, Salvador, Feira de Santana, Irecê e Ilhéus os maiores concentradores (41%) dos casos. A Bahia, que há algum tempo vinha conseguindo controlar os índices de casos mudou de semblante, somou até agora 60 mortes confirmadas e 1.028 casos registrados como a forma mais grave da doença. E talvez você, leitor, pergunte: porque ela diz “descaso com a população”?
Em depoimento ao jornal A Tarde, a coordenadora de Vigilância Epidemiológica do Estado da Bahia, Jesuína Castro, atribuiu o aumento do número de casos “à descontinuidade das políticas de combate à doença em alguns municípios baianos”, resultado do “desmantelamento” das equipes de controle da dengue após a troca de governos das prefeituras no ano de 2009. Um a zero para os políticos que se mostram alheios aos problemas públicos, para quê cuidar do bem estar social, não é mesmo? Estamos em festa, nosso partido ganhou a eleição, vamos comemorar!
O problema é que a cada novo governo nos municípios, muitos prefeitos se acham no direito de escolherem novas pessoas para cargos municipais durante o seu mandato. E os iluminados – os que conseguem um emprego às custas dos impostos pagos pelo cidadão – parecem não achar tão importante dar continuidade ao trabalho do ocupante anterior, esquecem-se de que para uma política publica dar certo precisa de ordem e cumprimento das ações e amadurecimento de idéias.
Porém, a pior parte já passou (não por mérito das prefeituras e sim por uma simples razão natural – os meses mais quentes do ano foram embora), pois o pico do número de casos da dengue no estado aconteceu mais cedo: numa sexta feira treze, em março, a Bahia decretou estado de emergência. O governo não sabia mais o que fazer, e quem teve que entrar em ação foi o Ministério da Saúde enviando 20 médicos e 20 enfermeiros das forças armadas para atender os municípios que mais sofriam. A idéia era ajudar no acolhimento dos pacientes criando mais postos de atendimento. A Bahia não suportava mais se debater em meio as picadas de mosquitos, nove semanas depois de começar o ano, assustadoramente, o número de mortes em todo o estado chegou a 30.
2º semestre de 2009