Com freqüência os termos “pragmática” e “pragmatismo” têm sido usados de forma equivalente o que não corresponde, contudo nem a sua origem, nem as origens de pensamento que os caracterizam. É preciso distinguir, portanto a pragmática enquanto um campo de estudos da linguagem e o pragmatismo enquanto corrente filosófica, ainda que uma filosofia da linguagem na linha da pragmática e o pragmatismo se aproximem em muitos aspectos sem contudo se confundirem.
O pragmatismo constitui uma escola de filosofia nos Estados Unidos da América, caracterizada pela descrença no fatalismo e pela certeza que só a ação humana movida pela inteligência e pela energia, pode alterar os limites da condição humana. Sendo que a função essencial dessa inteligência não é nos fazer conhecer as coisas, mas permitir a nossa ação sobre elas.
Segundo Charles Morris (1938), “Pragmática é a ‘ciência’ (ou parte da lingüística) que estuda as condições que governam a utilização da linguagem na prática lingüística”. (MORRIS apud LEVINSON, 1983:1). Ou seja, a pragmática prevê o estudo do uso da linguagem atendendo ao contexto em que é produzida, onde interagem fatores lingüísticos (domínio do sentido e estrutura das frases e enunciados) e extralingüísticos (comportamentos, gestos, tom, intenção comunicativa, conhecimentos partilhados).
A palavra práxis (da qual deriva pragmática) designa a ação do homem sobre o homem, o que está diretamente ligado a comunicação, por comunicação ser de fato a tentativa de fazer com que o outro entenda e comungue de suas idéias. O que faz dessa relação pragmática ser completamente aleatória. Um sujeito não é uma máquina, não se age sobre ele com uma certeza prévia das respostas. Se definir-mos, portanto nossos fenômenos de comunicação como a esfera das atividades pragmáticas de tratamento das mensagens entre sujeitos, vê-se que um dos critérios de reconhecimento dessas ações reside em seu fracasso sempre possível.
Porém analisando algumas manchetes de jornais brasileiros pode-se perceber que as palavras são muito veladas, as críticas são feitas de forma muito indireta, para que o jornal se isente de qualquer responsabilidade de uma interpretação comprometedora, o que eles naturalmente justificam não como um instrumento de proteção à face, mas a busca pela imparcialidade. Quer dizer, o leitor leigo não consegue identificar a real posição tomada pelo jornal.
Por isso, como Platão começou por sublinhar, não é possível conhecer falsidades, sendo contudo possível – e até freqüente – ter opiniões falsas. Assim, um dos problemas que desde logo se coloca é o de saber como se alcança o conhecimento e se evita a mera opinião. É aí que entra a epistemologia – “estudo da natureza e dos fundamentos do saber, particularmente de sua validade, de seus limites, de suas condições de produção.” (LAVILLE, Chistian. A Construção do Saber”, isto é, o estudo de como sabemos o que sabemos.
A célebre teoria das idéias de Platão continha uma resposta para esse problema. Para Platão, só através de um processo racional de afastamento das impressões sensíveis somos conduzidos à contemplação das idéias perfeitas, de que os objetos captados pelos nossos sentidos são simples cópias imperfeitas. É nas idéias que reside a verdade, pelo que o chamado “conhecimento sensível” não deve, em rigor, ser considerado conhecimento. A discussão acerca do papel dos sentidos na formação do conhecimento e nas justificação das nossas crenças acabou por dar lugar a duas grandes doutrinas epistemológicas rivais: o Empirismo e o Racionalismo. Empiristas como os britânicos Locke, Hume e Berkeley defendem que todo conhecimento substancial provém da experiência sensível, enquanto os Racionalistas, como o francês Descartes e o alemão Leibniz, consideram que o conhecimento, se corretamente entendido, deve exibir as marcas da universalidade (ver UNIVERSAL) e da necessidade (ver NECESSÁRIO), características de que de modo algum dependem da experiência. Assim, para os racionalistas nem todo o conhecimento deriva da experiência sensível. Entretanto Kant, procurou determinar com exatidão como se constitui o conhecimento, concluindo que este depende tanto da matéria fornecida pelos sentidos como das formas de fato do pensamento a que os dados sensíveis têm de se submeter. Kant opõe-se assim tanto ao empirismo como ao racionalismo tradicional.
Existe para o ser humano a extrema necessidade de distinguir o seu real conhecimento de um mero saber. É preciso ter estudo aprofundado e dotado de bases sólidas, não ficar na superfície das coisas em razão de crenças, idéias formadas ou qualquer outros fatos que não o conhecimento propriamente dito. O passo inicial e essencial da epistemologia é enxergar ao menos o verossímil das coisas.
autores: Larissa Seixas, Hailton Andrade, Jéssica Smetack, Louise Maiana
2º semestre de 2007