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Um Brasil estrangeiro

O mundo está interligando-se cada vez mais através da globalização. As culturas se misturam e se perdem no meio de informações que são coletadas e adquiridas. O Brasil é um grande componente dessa nova maneira de lidar com a cultura, por isso seus valores e tradições estão sofrendo uma miscelânea e assimilando os valores e tradições estrangeiros, principalmente de países que detêm maior poder econômico. Será que devemos deixar que a nossa cultura pouco a pouco se perca? Até que ponto podemos manter a nossa identidade?

O capitalismo é um grande influenciador da mistura de culturas, seu interesse maior está em garantir o lucro com a venda de seus produtos – geralmente de países com economias favorecidas: EUA, União Européia, Japão… – esses produtos são empurrados goela abaixo dos países ditos de “terceiro mundo” – latino-americanos, africanos, asiáticos. O que ocorre é que qualquer ser humano quer sempre ser, e até mesmo parecer ser melhor que os outros.

E a categoria “terceiro mundo” não faz parte da lista de ambições de um homem. Se o que é “primeiro mundo” é o que vem do estrangeiro, então vamos acolher esses valores vendidos e encarnar uma cultura diferente da nossa, ou como dizem: “superior” a nossa. Dessa forma, em cada canto de uma cidade grande encontramos os produtos das indústrias mais influentes: Mc´Donalds, Nike, Coca-Cola, GM; e, principalmente, o idioma inglês, que é tido como o mais fácil de ser aprendido, o que todo o mundo fala, e, num currículo, é mais importante que o próprio idioma.

Mesmo que movimente a economia do país, atraindo mais comércio ou indústrias ou alguma mão de obra habilitada, tornando o Brasil um país com maior PIB, a globalização não trará os benefícios necessários: renda para todos os brasileiros, moradia, educação, saúde. O que fará é concentrar cada vez mais a renda nas mãos de poucos e aumentar a desigualdade social, além de perder a identidade do nosso povo.

Deveríamos ter um lei de proteção cultural, que ajudasse a defender a nossa cultura, tanto o idioma português brasileiro quanto a valorização dos produtos originários do Brasil, para que ela seja preservada e sobreviva  a essa absorção de valores alheios. Um país sem cultura própria é um país sem identidade e sem identidade não há nação.

1º semestre de 2007

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