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A criança morta – Cândido Portinari

A criança morta - Di Cavalcanti

A obra a ser analisada é o quadro de Cândido Portinari, Criança Morta, da série Retirantes de 1944. Ele foi feito na técnica óleo sobre tela e mede 180 por 190 centímetros. Atualmente, está exposto no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand.

O quadro, como muitas outras obras do criador, tem um ar melancólico e retrata a morte de uma criança esquálida nos braços da sua família que chora por sua perda. O artista consegue passar o sofrimento do momento através dos traços de como é pintada a imagem, os contornos fortes e irregulares formam um desenho de grande expressividade e emoção explícita.

Quase todos os personagens da obra estão com os olhos cheios de água, os pais da criança têm as cabeças e os ombros baixos – como se derrotados, a irmã mais velha tem um lenço na cabeça e a mais nova segura a cabeça do moribundo. Apenas o filho caçula não chora, por não ter idade suficiente para entender a morte.

A cena acontece num crepúsculo e são utilizadas cores frias, acentuando a tristeza da ocasião. No local nada mais existe além da família e uma galinha semi-viva. Eles estão no meio de um deserto, há apenas um horizonte de terra seca e pedregulhos. Um lugar onde não se tem a mínima condição de sobrevivência. A família é exemplo de uma vida de miséria no sertão brasileiro.

É impossível não se sentir sensibilizado com a imagem, pois além de a pobreza da família ser completamente visível – todos estão com as vestes sujas, descalços e subnutridos, eles possuem um semblante entristecedor de pessoas esquecidas pelo mundo, que passam necessidade sem nenhuma intervenção externa.

1º semestre de 2008

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